Mendoza – Argentina

 O colapso da economia argentina, em 2002, acabou impulsionando o setor vinícola do país. A desvalorização do peso permitiu aos vinicultores do norte exportar safras de excelente qualidade a preços muito baixos, mesmo quando os custos da produção estavam caindo. Os imóveis também se desvalorizaram e os investidores correram para comprar terrenos bons para o plantio de uvas a uma fração do que custariam em outros países. Dez anos depois, o resultado é uma indústria vibrante, com uma grande variedade de rótulos para gostos e bolsos diferentes, tecnologia sustentável de ponta e uma nova geração de produtores criativos. A cidade de Mendoza é uma boa base para uma visita, com hotéis, restaurantes e bares novos no centro histórico, com uma mistura de estilos arquitetônicos que coloca o art déco ao lado do moderno dos anos 60. As vinícolas ficam bem perto dali, assim como os esportes de aventura e resorts ao pé dos Andes, com cartas de vinhos que oferecem o que há de melhor na região.

 

 O Maria Antonieta é uma novidade badalada de Mendoza que serve pratos frescos e sazonais, uma opção para quem quer dar um tempo na carne. Na foto, a lasanha vegetariana da casa Nicolas Wormull/The New York Times.

18h – Prepare o paladar
Comece a visita com uma degustação na Vines of Mendoza. O salão reúne cem produtores e esse é o único local da cidade onde você pode provar tantos vinhos ao mesmo tempo; os garçons são poliglotas, bem treinados e têm muito conhecimento. Estão incluídos vários malbecs, a uva mais famosa de Mendoza, por 75 pesos, ou um apanhado dos varietais da região, como torrontés, merlot, bonarda e alguns blends. O local pertence a Michael Evans e Pablo Gimenez Riili, cuja cooperativa vinícola de 404 hectares, no Vale do Uco, dá àqueles que sonham em produzir seu próprio vinho a possibilidade de possuir até 1,2 hectare, com acesso às instalações modernas e a ajuda de um excelente enólogo. Passeios e churrascos podem ser organizados no salão de degustação. Um hotel com bangalôs luxuosos à beira de um lago será inaugurado no início de 2013 (Espejo 567; 54-261-438-1031; vinesofmendoza.com). Em 1º de maio, o salão vai se mudar para a rua Belgrano 1094, onde terá mais espaço e mesas nas calçadas.

21h – A arte do churrasco
Como não poderia deixar de ser, o chef mais famoso da cidade, Francis Mallmann, é mestre na arte de preparar bons grelhados. No pátio de seu restaurante, o 1884 (Belgrano 1188; 54-261-424-2698; 1884restaurante.com.ar), uma grande variedade de grelhas (como a parilla ou a plancha) e fornos a lenha ficam sempre lotados. O carneiro na grelha, que leva sete horas para ficar pronto, com purê de batata (100 pesos), dá um novo significado à palavra “maciez”. O cenário também é bastante romântico (se bem que os garçons poderiam dar uma caprichada).

Os grelhados são o destaque do restaurante 1884, liderado pelo chef mais famoso de Mendoza

Meia-noite – Pássaros noturnos
Na Argentina, o costume é sair bem tarde, por isso não se surpreenda se a maioria das pessoas aparecer depois da meia-noite para comer empanadas e tomar coquetéis no El Palenque (Aristides Villanueva 287; 54-261-15-429-1814), um restaurante/bar inspirado na pulpería argentina (ou taverna), na Rua Aristides Villanueva, centro da vida noturna. Os mendocinos mais abastados gostam de bebericar vinho em pinguinos, copos em forma de pinguim (29 pesos), nas mesas ao ar livre.

Sábado

9h – Passeando pelas praças
Grande parte da cidade ficou reduzida a escombros depois do terremoto de 1861; por isso, foram construídas cinco plazas amplas para oferecer espaços abertos e seguros à população caso aconteça outra tragédia. Elas se tornaram pontos de referência na cidade, principalmente nos fins de semana. Na mais popular, a Plaza Independência, pode-se desfrutar de sorvetes bons e do tradicional mate enquanto a criançada brinca e as bandas tocam no coreto. Vale a pena caminhar de uma praça a outra para ter uma noção da distribuição da cidade. No centro financeiro, a Plaza San Martín é dominada pelo general responsável pela independência da Argentina; a Plaza Chile tem o melhor playground; a Plaza Itália é dedicada ao país que deu a Mendoza tantos imigrantes (há até uma estátua de Rômulo e Remo e uma fonte com 1.400 azulejos da Catedral da Bolonha); e a Plaza España, com suas áreas verdes, que é, sem dúvida, a mais bela de todas.

11h – Birita matinal
A cerca de 50 minutos de carro de Mendoza, passando por várias cidadezinhas, ao longo de estradas ladeadas de videiras, Achaval Ferrer (Calle Cobos 2601, Perdriel; 54-261-488-1131; achaval-ferrer.com) começou como um projeto paralelo de três amigos apaixonados por vinhos, incluindo o italiano Roberto Cipesso; porém, seus rótulos, principalmente os três malbec crus (cada um obtido de um solo e altitude diferente) rapidamente ganharam prestígio, em especial o Finca Altamira 2009, que ganhou nota 99 do crítico Robert Parker. O passeio e a degustação dão uma ideia geral da propriedade pequena e bem arrumada. Por cem pesos é possível experimentar cinco tipos de vinho.

 

 Mendoza está cercada por inúmeras vinícolas, a maioria delas abertas a visitas de turistas

13h – De par em par
O restaurante surpreendentemente elegante da Bodega Ruca Malen (Ruta Nacional, km 7, Lujan de Cuyo; 54-261-413-8909; bodegarucamalen.com) dá para os Andes e fica nos limites das plantações de uma das propriedades, oferecendo um menu degustação de cinco pratos a 320 pesos, combinando os rótulos da vinícola (além de alguns favoritos dos donos) com pratos da culinária local. A sequência é excelente e, apesar do número de pratos, não é excessiva. Uma porção de chorizo com molho criolla, por exemplo, é acompanhada de um copo de Yauquen malbec cabernet sauvignon 2010; a beterraba cozida em mel e canela com queijo de cabra grelhado, de um Ruca Malen syrah 2008; e o medalhão grelhado com cebola, azeitona, passas e azeite Arauco perfumado com a lavanda cultivada ali mesmo, de Ruca Malen malbec 2010 e Kinien malbec 2010.

16h – Desintoxicação profunda
Mesmo que você não se hospede no novo resort e vinícola Entre Cielos (Guardia Vieja 1998, Vistalba; 54-261-498-3377; entrecielos.com), vale a pena dar uma parada no spa e banho turco que fica a vinte minutos do centro. Depois de muito vapor e esfregação, sua pele vai ficar macia como a de um bebê e quase todo o álcool consumido nas degustações e no almoço vão ter sido eliminado de seu corpo. O cardápio inclui massagens linfáticas e peeling. Se preferir continuar passeando pelas vinícolas, pare na Bressia (Cochabamba 7725, Agrelo, Lujan de Cuyo; 54-261-524-9161; bressiabodega.com), que fica bem perto e onde são produzidos os blends no velho estilo europeu (como o Bressia Profundo).

21h – Preferência regional
O lomo está para Mendoza como o cheesesteak – sanduíche de carne com queijo, ovo frito e maionese – está para a Filadélfia. No Don Claudio (Tiburcio Benegas e Aristides Villanueva; 54-261-423-4814), o prato é servido num espaço claro, com jeitão de refeitório, com garrafas imensas de Quilmes geladas (a cerveja favorita dos argentinos). O lomo não sai por mais de 41 pesos e a cerveja, 15, ou seja, não pesa no bolso. Depois, vá à Plaza Pellegrini para ver o pessoal dançando tango ao ar livre.

 O restaurante Don Claudio prepara um dos melhores sanduíches de lomo de Mendoza

Domingo

10h – Parada para o brunch
Maria Antonieta (Belgrano 1069; 54-261-420-4322; mariaantonietaresto.com) é a novidade badalada da cidade que serve pratos frescos e sazonais, uma opção para quem quer dar um tempo na carne. Além dos muffins caseiros e dos sucos preparados na hora (como os de morango e grapefruit), as opções de café da manhã incluem huevos AL água (ovo pochê). Tanto as mesas do interior como as da calçada são boas opções para se passar algumas horas saboreando o café e lendo o jornal. Acesso wi-fi gratuito.

Tarde – Paisagens verdes
Alugue uma bicicleta no Bikes and Wines (54-261-410-6686; bikesandwines.com) e vá para o Parque General San Martín, um oásis verde de 485 hectares (o Central Park tem pouco mais de 360) projetado pelo paisagista Carlos Thays, em 1896. Aos domingos, muitas famílias fazem piquenique em locais como o Cerro de La Gloria, com suas gloriosas paisagens da cidade e dos Andes. Quer chegar ainda mais perto das montanhas? A Argentina Rafting (54-261-429-6325; argentinarafting.com) oferece passeios de caiaque, mountain bike e caminhadas a US$ 73; já a Discover the Andes (54-261-156-571-967) oferece caminhadas como a que segue a trilha Vallecitos (com paisagens deslumbrantes) por US$ 200, com almoço.

      Turistas usam bicicletas para conhecer os vinhedos que cercam Mendoza, na Argentina 

Se você for na cidade

O Park Hyatt Mendoza (Chile 1124; 54-261-441-1234; mendoza.park.hyatt.com) ainda é o hotel mais luxuoso, com uma localização central e um bom wine bar, embora os quartos estejam meio decadentes pelo preço cobrado. Quarto duplo a 1.122 pesos (US$ 264) mais taxas.

A pousada Casa Lila é uma graça (Avellaneda Nicolas 262; 54-261 – 429-6349; casalila.com.ar); nova, é administrada por um casal muito simpático; US$ 140 com taxas.

O Entre Cielos (Guardia Vieja 1998, Vistalba; 54-261-498-3377; entrecielos.com) tem uma vinícola e um spa; os quartos são espaçosos e muito confortáveis. A partir de US$ 380, mais taxas; inclui uma sessão de banho turco e café da manhã; US$ 266 na baixa temporada.

A Cavas Wine Lodge (Calle Costaflores s/n, Alto Agrelo; 54-261-410- 6927; cavaswinelodge.com) fica no sopé dos Andes e é muito popular entre casais em lua-de-mel; US$ 605, mais taxas. Serve café da manhã; US$ 360 na baixa temporada.

Fonte: Ondine Cohane

New York Times Syndicate

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