Neto78 leva seu “Passado Reciclado” à galeria Urban Arts

Em 2011 eu e minha esposa viajamos à Chicago e um casal de amigos nos recomendou um bar que era famoso pelos shows de Blues, e embarcamos nessa. Foi incrível, tive o privilégio ( e a sorte) de conhecer pessoalmente naquela noite “Buddy Guy”, uma lenda viva. Voltei de viagem com o Blues na bagagem, e alguns anos depois, aquela noite me inspirou a fazer uma das obras que estão nesta exposição.

Se você ainda pensa que arte com objetos reciclados ainda se resume a luminárias de garrafas pet, pode rever seus conceitos. Pelo menos é o que propõe Neto78 em sua mais nova mostra.

Pai de primeira viagem, a ideia dos trabalhos começou a ser desenvolvida nos primeiros meses de vida do filho, quando a rotina apertada e a grande quantidade de compras pela internet gerou um acúmulo de embalagens desnecessárias. Com embalagens, sacolas de compra e delivery, tampas de garrafas, papéis de presente, caixas de computador, cadarços e até discos de vinil, foram criadas mais de 10 peças.

“A proposta da exposição foi transformar e dar outro significado a objetos que seriam descartados e se acumulariam, levando as pessoas a uma reflexão sobre a quantidade de lixo que produzimos e a busca por alternativas mais viáveis”, explica Neto. O universo musical é a grande referência das obras, feitas a partir de técnicas como colagem, spray, tinta acrílica, canetão, macramé e lápis de cor.

Em meio à correria da vida de pai, artista plástico, vice-presidente de agência de publicidade e às vésperas de estrear sua exposição, Neto nos contou alguns detalhes sobre Passado Reciclado. Vem ver!

De onde surgiu a ideia de trabalhar com material reciclado para criar suas obras? É a primeira vez que isso acontece?

Foi por acaso. Como meu filho nasceu no mês de dezembro, próximo ao Natal, minha casa estava cheia de sacolas e caixas de presente. Foi quando então me vi diante de uma realidade chocante: Nós criamos e geramos uma quantidade de lixo inacreditável. Resolvi, então, transformar parte daquele material em suporte p/ criar as peças desta exposição. Sempre gostei de trabalhos com colagem e pintura e já havia brincado de reaproveitar alguns itens anteriormente, mas foi a primeira vez que fiz uma série, com trabalhos mais complexos.

Por que a música como tema?
A música é como eletricidade, ela anima e cria uma atmosfera que envolve os personagens. Neste projeto, em especial, ela teve o papel de fio condutor do processo criativo. Sempre está presente na minha vida, no meu trabalho e agora ela ganha um papel de destaque.

O quê do seu passado pode ser refletido nessas obras?
Tive a oportunidade de resgatar e reciclar vários personagens que criei anos atrás e estavam adormecidos nos meus cadernos de desenho. Alguns projetos foram criados 8, 10 anos atrás. Também foi um momento de sair um pouco do computador, voltar ao Neto que passava horas cortando, colando e pintando quando criança. Lembrei bastante das tardes na casa da minha avó, observando as pessoas, o cachorro Precioso, a radiola velha e o colorido das roupas que ela costurava. Acho que o filho faz isso com a gente, repensar a vida e lembrar de momentos bons que passamos quando criança.

De onde vêm as inspirações para os seus trabalhos em geral?
De todo lugar. Sei que é muito abrangente, mas é verdade. Nós somos umas esponjinhas, vamos absorvendo tudo o que vemos e sentimos, daí vem o nosso repertório, nosso entendimento. Dos lugares que estive às pessoas que conheci, a música que tocava, o filme no cinema, as histórias que ouvi, o sorriso da minha mulher, tudo isso me inspira.

Como vem sendo a vida conciliando a carreira de artista plástico, de VP e de pai?
Bem intensa, porém percebi que estas 3 áreas são criativamente complementares. O ambiente na agência te ajuda a ter disciplina e flexibilidade para lidar bem com as pessoas e com os jobs. Por sua vez, o filho exige atenção e a educação requer disciplina e também flexibilidade. Os dois ambientes anteriores, são ambientes de doação e entrega. Já a arte vem para dar vazão a outro sentimento, a uma energia criativa caótica. E o caos é o combustível pra arte. Foi como começou esse projeto todo. Um grande acúmulo de embalagens e vontade de fazer mais, inspirado pelo sentimento novo que veio com a chegada do Ben.

Passado Reciclado – Neto78
Onde: Urban Arts (Rua Oscar Freire, 156, Jardins, São Paulo)
Quando: 18 a 30 de agosto (segunda a sábado das 10h às 19h e domingo das 12h às 18h)
Entrada Gratuita
Mais informações em www.urbanarts.com.br

Referências:

Neto78 leva seu “Passado Reciclado” à galeria Urban Arts a partir de amanhã

 

 

 

 

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